Muitos defendem a ideia de que o livro no Brasil é caro, e outros alegam que não. Qual está certo?
É necessário para se produzir um livro, alguns profissionais, não somente o escritor. Digamos que o livro é uma piramide e o escritor é a base dela, pois com ele iniciou a história, mas para chegar até o leitor é preciso de um editor, um diagramador, um capista, uma distribuidora e a livraria. 10% é o que um escritor fica com valor dos livros vendidos, 15% a 20% fica com a distribuidora, 30% a 35% fica com a livraria e todo o resto pertence a editora que deve distribuir para os demais colaboradores.
Então percebam que, todo o lucro deles depende do sucesso do livro, se os 2.000 exemplares acabarem encalhados, o valor investido será totalmente perdido. É como criar uma empresa totalmente nova a cada livro, investir nela e se não der certo, perder todo o dinheiro que foi trabalhado em cima.
O preço investido seria bem menos se a tiragem dos exemplares fossem maior, contudo, quanto maior a tiragem, maior a possibilidade de afundar o barco e isso nos leva ao principal fator da tiragem ser somente em média 2 mil, que é a procura. O Brasil, com toda a sua população, não tem o hábito de ler. No tanto que para ser um Best Seller seriam necessários 20 mil livros vendidos.
Além de todos estes problemas para se investir e gerar um bom retorno, contamos também com a quantidade enorme de escritores no Brasil, as editoras estão sempre tendo de escolher entre um e outro e apostar nisso. A falha na escolha só vai resultar lá no final, depois de todo o investimento, quando os leitores comprarem e opinarem sobre o assunto.
Entre os 20 mais vendidos do mês passado na categoria ficção, não temos nenhum brasileiro. No geral, o maior livro vendido foi Philia do Padre Marcelo, com 31.518 exemplares. O livro custa em torno de R$ 10,00 a R$ 19,90. Barato não é mesmo? Agora, por qual razão é barato assim? Simples, a junção da boa história, mais o fato do escritor já ser famoso e ter muitos fiéis, junto do marketing em cima do livro, já traz um "calçado" bem mais confortável para a editora, que apostou as fichas e fez mais tiragens que o normal.
Então o escritor precisa ser famoso? Não é bem verdade. Quando Paulo Coelho estreou na Rocco, ele não era famoso. No tanto que o fato da editora ter se transformado em uma das maiores, trazendo livros do exterior e investindo em muitos escritores novos, foi a boa aceitação que os livros dele tiveram.
Sendo assim, trata-se de um jogo, onde tudo pode ou não ser perdido. É isso que reflete no preço do livro, não se trata do Brasil ter livros caros, mas sim ter pouca procura.
Para os curiosos, as informações de livros vendidos semanalmente, mensalmente ou anualmente está no endereço abaixo:
http://www.publishnews.com.br/rankings/mensal/0/2015/7/0/0
Escrito por: Francis

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